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Pensamento Sobre Aterragens Suaves

Temos ouvido vários especialistas defenderem que o governo chinês está num processo de aterragem suave da economia, dando a entender que vão conseguir que a economia passe de crescimentos de 9-10%/ano para valores um pouco menores, mas ainda assim elevados, e de uma forma suave, sem que haja grandes choques na actividade económica.

Isto é impossível, porque o boom criado por taxas de juro artificialmente baixas vai distorcer a estrutura produtiva da economia de forma insustentável, pelo que quando se dá um boom é uma questão de tempo até se seguir o bust, quando o banco central for "obrigado" a cortar o crédito fácil para conter a inflação (caso o banco central não corrija a sua política inflacionaria, segue-se uma hiperinflação, o que é ainda mais devastador para a economia). Ninguém consegue dizer com certeza quando ocorrerá o bust, pode começar para a semana, ou pode começar daqui a 2 anos, mas o que é certo é que acontecerá!

Reforma Agrária Chinesa


Um episódio interessante, que mais uma vez demonstrou o falhanço da propriedade colectiva, ocorreu com a terceira reforma agrária chinesa, depois da implementação do regime comunista, que consistiu numa quebra com a exploração colectiva da terra, através da constituição de um regime de responsabilidade familiar, no qual cada família tinha direito a explorar uma parcela (mais detalhes sobre os sistema neste link). Embora ainda não fosse um sistema de propriedade privada, foi um passo na direcção certa, que obteve resultados imediatos, com crescimentos significativos da produção agrícola.

É curioso que, em meados dos anos 80, a produção agrícola voltou a estagnar, ao se esgotarem os benefícios daquele sistema, o que segundo o artigo se ficou a dever a problemas que, na minha opinião, podiam ser resolvidos mais facilmente num verdadeiro sistema de propriedade privada:

(1) Parcelas de terra demasiado pequenas, para uma exploração eficiente. Caso a terra pudesse ser vendida, haveria um incentivo a que as parcelas se unissem, p.e. através de compras ou de cooperativas ou associações, até atingirem uma dimensão óptima.

(2) Como as terras não pertenciam aos trabalhadores, e podiam mesmo ser redistribuídas a qualquer altura, os camponeses apenas perseguiam objectivos de curto prazo, sobre-produzindo e fazendo poucos investimentos. Caso a terra fosse efectivamente dos camponeses, havia mais incentivos para estes seguirem objectivos de longo prazo, nomeadamente para preservar as terras e realizar investimentos, porque seriam os próprios a retirar os ganhos das suas acções, mesmo que vendessem as terras porque estas estariam mais valorizadas.

(3) As terras estavam mal distribuídas. Num sistema onde a terra pudesse ser vendida, haveria um incentivo a que os proprietários mais produtivos comprassem as terras a proprietários menos produtivos, porque conseguiam tirar mais rendimento do mesmo terreno, pelo que seria pouco provável que este problema persistisse.

House Slaves, if you're lucky

Cortinas de fumo e bolhas económicas vindas da China


Mish Shedlock é entrevistado por Max Keiser acerca da economia Chinesa estar numa bolha.




Outro artigo descreve as dinastias políticas compõem o comité de planeamento central chinês: Children of the Revolution.

Banco Central da China Aumenta Taxa de Reservas dos Bancos

Cuidado, quando os bancos centrais começam a tomar medidas, como aumentar taxas de reserva dos bancos comerciais ou aumentar as taxas de juro, para controlar a inflação, é quando começam a rebentar as bolhas formadas pelas taxas de juro artificialmente baixas.

Já tenho visto vários artigos na internet a advertir que na China se pode estar a formar uma bolha gigantesca, que terá sido ampliada com os "estimulos" dados durante a crise.

Boa parte do optimismo de alguns economistas e políticos, em relação a uma recuperação económica já em 2010, acenta no forte crescimento dos países emergentes. Portanto, se a bolha rebentar na China, nós também vamos sentir os efeitos...

Assim não vale?

Por vezes ouvimos, na rua e nos meios de comunicação, que devíamos restringir as importações vindas da China.

As justificações são muitas: fazem concorrência desleal porque os trabalhadores chineses são explorados, ao receberem salários miseráveis e com poucas condições de trabalho, não têm segurança social, não têm de cumprir as regras ambientais dos países europeus...

Perante isto, os defensores desta linha de raciocínio, argumentam que o resultado final será que os trabalhadores europeus terão de aceitar trabalhar perante uma igual exploração, também com salários baixíssimos e sem quaisquer condições de trabalho, se quiserem ser competitivos, ou então que o desemprego aumentará para níveis astronómicos.

Para evitar estas consequências desastrosas, dizem eles, só há uma solução: criar barreiras às importações chinesas!

Esta argumentação tem tantas falácias, que nem sei por onde começar.

Primeiro que tudo, o comércio com o exterior também cria empregos europeus, logo para começar no sector dos transportes. Depois, parte das importações podem ser de componentes usados por empresas, promovendo a produção dessas empresas, para além de aumentar a eficiência e a riqueza criada pela economia europeia. Para além disso, a produtividade é incrementada, uma vez que se aprofunda o processo da divisão internacional do trabalho.

Esta lógica também falha porque se assume que há um número fixo de empregos disponíveis, numa economia, neste caso na europeia. Isto não é verdade, enquanto houver necessidades humanas por satisfazer também haverá procura por quem possa tratar delas. Por isso, se importamos certo bem da China, mais barato, os europeus podem desviar recursos para satisfazer outras necessidades dos seus consumidores. Com comércio livre, se por exemplo importamos plásticos chineses, os consumidores europeus têm acesso aos plásticos, mais os produtos que passaram a ser produzidos pelos recursos que antes eram usados para produzir plásticos similares, na Europa. Sem comércio livre, ficamos apenas com os plásticos europeus.

Depois, quando se restringe o comércio livre, os pobres são os primeiros a ser afectados, porque deixam de poder comprar produtos que antes eram baratos.

Este tipo de medidas, criaria desemprego na China e, certamente, ressentimento contra o Ocidente. Para alguns europeus manterem os seus privilégios artificialmente, inverteríamos o processo de globalização, que nas últimas décadas tirou centenas de milhões de seres humanos da pobreza.

Quanto ao argumento da poluição, este parece-me ser o mais forte. Mas será que é suficiente para impedirmos as importações chinesas de entrarem? Não me parece, apesar de esta ser uma questão muito importante. A Europa, cumpre regras ambientais mais apertadas, em parte, devido às leis que foram criadas, mas também à consciencia ambiental que foi desenvolvida ao longo de décadas, pelos europeus. A China está agora a desenvolver-se, e por isso, infelizmente, essa ainda não é uma preocupação muito relevante para a maioria da população (para além de que estamos a falar de uma ditadura, onde as vozes discordantes são muitas vezes silenciadas). No entanto, não duvido que essa consciência venha a ser desenvolvida aos poucos, e à medida que as necessidades mais básicas da população forem sendo satisfeitas. Aí nós podemos ajudar, através da nossa maior experiência nesta área.

Olhando para o passado, vamos chegar facilmente à conclusão que, abrindo as fronteiras, os europeus não terão de passar a trabalhar pelos menos salários, nem nas mesmas condições dos seus parceiros chineses. A razão pela qual temos salários mais altos é porque temos uma maior produtividade, resultado de termos mais capital na nossa economia. Para além disso, quando a produtividade aumenta, as pessoas também começam a precisar de trabalhar menos. Hong Kong, que faz parte da China há mais de 10 anos, começou por se especializar nos têxteis e na produção de aparelhos simples, no inicio da sua industrialização, no entanto, nas últimas décadas com a concorrência de alguns países asiáticos, estes sectores praticamente desapareceram da sua economia, sem que isso tenha resultado em desemprego, simplesmente houve uma alteração na aplicação dos recursos e Hong Kong continuou a enriquecer. Ou seja, este argumento apenas revela ignorância económica.
A conclusão só pode ser uma, deixemos que os seres humanos, quer sejam europeus ou de outra proveniência qualquer, prosperem através do mercado livre, que é a única forma de o conseguir sustentadamente e sem empobrecer artificialmente os outros.
Fica ainda aqui o link para um post do André sobre o proteccionismo.

Obama o protector



Estava a dar uma vista de olhos pelas notícias quando me deparo com algo que não me surpreende nada e, infelizmente, penso que é o que irá acontecer cada vez mais nos USA e no mundo, à medida que a crise se intensifica (já que as medidas que estão a ser tomadas para combater essa crise são as mesmas que deram origem à situação actual). Vou transcrever pedaços da notícia, e ir comentando:

"China lashes US tire duties as protectionst - The Obama administration will impose stiff tariffs on imports of Chinese-made tires after finding that a surge of imports has disrupted the U.S. domestic market".
- (Será que o culpado dos USA terem desfeito o aparelho produtivo, construido a sua economia em cima de um castelo de cartas baseada na especulação imobiliária e apoiado o seu PIB em 70 % consumo conseguido através de crédito barato e indiscriminado é dos pneus que vêm da China...????!!!!).

"U.S. imports of Chinese tires have risen, almost tripled, from 14.6 million in 2004 to 46 million last year; about one-sixth of the U.S. market. Four U.S. tire plants have closed in the past two years alone, and more than 5,000 domestic workers have lost their jobs."
 - (Se há importações é porque se torna mais barato para a indústria americana ir buscar lá fora do que comprar cá dentro...; isso deveria ser algo bom já que quem usa esse bem importado irá ter menos custos... Mas o que é que o estado faz alegando sempre o bem da população e as dificuldades das empresas nacionais? No fundo, é prejudicar quem importa os pneus, obrigando as pessoas e empresas a comprarem mais caro esse bem... !! Óptima política... tornar o bem mais caro para a população, (prejudicando 300 milhões de pessoas porque 5.000 pessoas e 4 fábricas fecharam em 2 anos... o que dá uma média de 2.500 pessoas e 2 fábricas por ano)).

"This administration is doing what is necessary to enforce trade agreements on behalf of American workers and manufacturers," says U.S. Trade Representative Ron Kirk.  Further, "Enforcing trade laws is key to maintaining an open and free trading system."
- (É inacreditável encontrar na mesma frase Enforcing trade laws e open and free trading system... Nem vale a pena comentar!!!!).

Concluindo: O estado está novamente a alegar o bem da população e indústrias nacionais (já que isso capta e comove), empobrecendo a economia. Vai tornar mais ineficiente o aparelho produtivo, já que não permite que haja uma saudável competição. Se é mais barato ir comprar a outro lado, isso deveria ser bom, pois as pessoas e empresas podem adquirir o bem a melhores preços, desenvolvendo assim indústrias que trazem realmente valor para a economia, criando empregos produtivos no presente e futuro. Com proteccionismo será que as empresas se tornam competitivas? Ou apenas se tornam "preguiçosas", não tendo o tal incentivo a se tornarem melhores e mais capazes?

As economias desenvolvem-se pela competição. Caso perguntem a qualquer atleta de alta competição com quem querem competir, eles dizem que é contra o melhor; eles sabem que só desta maneira vão ficar mais fortes.
O estado pela sua constante intervenção, a fazer o papel de paizinho protector está a tornar os "filhos" mais fracos, dependentes e não permite aos seus " filhos" desenvolverem as suas reais capacidades.

Espero que não se comece a seguir este caminho, pois todos iremos pagar a factura  no presente e no futuro próximo.

Afinal havia outra...

Uma notícia que já era de esperar, e que mostra que as relações entre USA e China estão numa espécie de amor-ódio.

" Banco da China acusa Wall Street de miopia
Zhu Min, vice-presidente do Banco da China, disse numa entrevista que os banqueiros norte-americanos sofrem de "excesso de confiança" e estão "míopes" face à actual crise financeira.

As pessoas em Wall Street parecem achar que a crise nunca aconteceu", afirmou Zhu Min durante uma entrevista à Bloomberg. "Não é apenas excesso de confiança, é muita miopia", acrescentou.

As críticas de responsáveis chineses aos EUA não são uma novidade e intensificaram-se com o agravar da crise financeira.

Em Março, o primeiro ministro Wen Jibao disse estar "preocupado" com os investimentos do país em obrigações norte-americanas, exigindo garantias de que os títulos eram seguros.

Agora, cinco meses depois, Zhu Min diz que existe "uma espécie de estabilização em relação à queda abrupta" dos mercados, "mas a verdadeira crise económica acaba de começar".

Os comentários de Zhu Min surgem depois de o índice norte-americano S&P 500 ter valorizado mais de 50% desde os mínimos de Março, uma subida que fez com que os preços das acções estejam muito acima dos lucros anunciados pelas empresas. "

E agora a questão... porque é que o S&P500 valorizou o que valorizou, se o rácio de Insider Selling (venda de títulos por parte dos administradores das empresas) está a valores elevadissímos, que aliás, desde que é acompanhado este rácio nunca esteve tão alto. Quem anda a manipular o mercado? Vou colocar um gráfico onde se verifica que o capital que é destinado ao Quantitative Easing está a ser usado para especular nos mercados novamente e com isso pagar os tais bónus famosos. Nada foi resolvido, está a ser feito tudo novamente mas com mais intensidade.

Fazer a mesma coisa e esperar resultados diferentes... ou talvez esperem os mesmos resultados, já que com a crise alguns lucram biliões.
Só tenho curiosidade numa coisa, quando isto tudo correr mal novamente será que o sector produtivo vai doar mais dinheiro para a caridade do estado ou os vai mandar dar uma curva?