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Juros da Dívida

Os políticos e muitos comentadores andam muito "contentinhos" com a baixa dos juros cobrados na dívida pública portuguesa, no entanto, a verdade é que a maior parte dos factores que originaram a subida dos juros ainda se mantém, porque na realidade a despesa pública ainda não foi controlada, basta ver o mais recente deslize (com uma tentativa de colocar as culpas na RTP), apesar de os impostos, já altíssimos, continuarem a subir (impedindo que o sector privado nos faça sair da recessão).

Esperemos pelos próximos capítulos!

Falhanço da Intervenção da Troika na Grécia

Tal como era esperado, a intervenção da troika na Grécia volta a dar sinais de ser um falhanço completo. Não só a economia grega continua em forte contracção, como a dívida pública está fora de controlo.

Se a Grécia tivesse declarado falência, quando chegou à conclusão que não conseguia pagar as suas dívidas, estas não tinham continuado a aumentar, pela simples razão que não conseguia encontrar credores, e como já tinha sido forçada a cortar na despesa há uns 2 anos, conjuntamente com o levantamento de outros entraves, o mais provável é que hoje a economia já estivesse a recuperar.

Grécia suspende reunião com troika com juros em 46,8%

Como Uma Crise da Dívida Italiana Pode Contagiar a Economia Global

Aqui.


Por Falar Em Colapso do Dólar...




Fala-se muito dos PIGS, mas quase todos os países desenvolvidos estão afogados em dívidas, e um dos casos mais graves é mesmo o dos Estados Unidos.

Perante isto, é altura de colocarmos questões como: Como é possível haver tanta dívida no mundo? Para haver tantos devedores, onde estão os credores? De onde vem tanta liquidez?

A resposta é muito simples, toda esta espiral de dívida só é possível devido à existência de bancos centrais e das políticas de crédito fácil, que estes implementaram directamente (ao criarem moeda, que introduziram na economia através de crédito), ou patrocinaram (ao permitirem aos bancos funcionarem com reservas fraccionárias, dado que em caso de crise de liquidez, eles seriam o credor de último recurso).

Enquanto os bancos centrais não forem abolidos, a espiral de dívida vai continuar!

Krugman

Se eu fosse vizinho deste senhor tinha cuidado. Qualquer dia ainda vinha dizer que era trágico eu não pagar as suas dívidas, assim como acha trágico que os alemães paguem as dívidas dos portugueses, espanhóis, gregos, etc.

Basicamente ele quer que os governos responsáveis violem, ainda mais, os direitos de propriedade privada dos seus cidadãos, cobrando mais impostos, para pagar o desvario e populismo dos governos irresponsáveis. Os incentivos criados para o futuro, são desastrosos.

E ainda quer que se endividem em conjunto, para que a festa dos irresponsáveis possa continuar, mas a juros mais baixos. Centraliza mais poder em Bruxelas e atrasa o problema da dívida por alguns anos… mas a dívida não desaparece, apenas fica escondida, enquanto vai aumentando!

Razoável?

Segundo um analista da Fitch, o estado português começou o ano de forma razoável no que diz respeito à captação de crédito.

Este homem será doido?

A este ritmo, só para termos uma ideia do que estamos a falar, dado que a dívida do estado anda na ordem dos 85% do PIB, e que hoje de manhã os juros andavam nos 6,7%, se conseguissem rolar toda a dívida a esta taxa (assumindo que não era adicionada mais dívida e que a economia estagnava), estariamos todos os anos a transferir 5,7% do nosso PIB só para pagar juros.

Alguém pode achar isto razoável?

Elevada Procura Será Sinal de Confiança na Dívida Portuguesa?

Segundo o secretário de Estado do Tesouro, apesar dos spreads serem preocupantes, o facto de ter havido procura mais que suficiente, para colocar toda a dívida emitida, é sinal de confiança dos investidores.

Eu, obviamente, não concordo, e acho que só há 2 razões para a procura não ser muito menor e para os juros não terem disparado para níveis inimagináveis.

Primeiro, o Banco Central Europeu continua a comprar dívida pública de vários países em apuros, entre os quais se encontra Portugal.

Segundo, os investidores acreditam que quando o Estado Português não pagar a sua dívida, alguém a pagará, ou o BCE, ou a Alemanha, etc..

Nenhuma destas razões me parece ser confiança, dos investidores, em que Portugal vá pôr as contas em ordem.

Fundo de Emergência


Hoje, os mercados estão a registar fortes ganhos com o anúncio do fundo de emergência que vai "providenciar" 600 biliões de Euros à Comissão Europeia para emprestar a países que esta considere estarem a ser injustamente "atacados" pelos especuladores. Desses 600 biliões, 60 vêm de empréstimos de países europeus, 440 de empréstimos que a Comissão vai contrair no mercado, com a garantia de pagamento de países europeus, e 100 do FMI.

Aparentemente, isto parece uma boa solução para o problema, e os mercados parecem estar de acordo, no entanto, a realidade pode ser um pouco diferente, principalmente tendo em conta os incentivos de longo prazo que são criados.

Primeiro, não acredito que a Comissão seja boa avaliadora de quem são os países "injustiçados" pelo mercado. A Grécia, enganou esta mesma Comissão durante vários anos. Na prática, acho que até a Grécia vai beneficiar.

Segundo, isto vai criar dívida europeia, pela primeira vez, algo que a esquerda já pretendia há muito tempo. A partir daqui, ninguém sabe que monstro estamos a criar...

Terceiro, os países que se portaram bem vão pagar indirectamente pelo esbanjamento dos outros.

Quarto, os países esbanjadores não vão pagar pelos seus erros, na totalidade. Este fundo pode baixar juros de países em dificuldade, mas isso só os levará a manter as politicas que os puseram em maus lençóis.

Quinto, cria-se um problema de risco moral. Para quem, por ventura, ache que isto não é um problema, basta lembrar das garantias implícitas dadas pelo governo americano à Fanny Mae e Fredie Mac, que apenas esconderam a bolha do imobiliário americano e permitiram que esta se tornasse maior, até que um dia rebentou.

No curto prazo, este fundo de emergência provavelmente vai acalmar os mercados, mas cuidado com o longo prazo...

Dívida na Europa




Retirado daqui.

Dívida - Circulo vicioso

uando muito se fala no problema da Grécia, e muito pouco nas causas que levaram a essa dívida, temos novamente este problema a tentar ser varrido para debaixo do tapete. Os dirigentes a tentar camuflar os seus erros, típicos da classe política que só existe para servir os lobbies instituidos e dar a ilusão de escolha, evitam a resolução deste problema da dívida soberana, que foi denunciado por este e outros blogs há vários meses / anos atrás, mas claro ignorado porque dava jeito.

O problema da Grécia é um problema menor, já que comparado com outros países é algo insignificante no impacto do GDP europeu (representa 3%), só que como a banca está envolvida então os aflitos e um dos lobbies mais fortes faz barulho para os mesmos (contribuintes) paguem a factura da sua loucura e da ganância dos bónus bilionários. O real problema está em países como UK (falido), USA (falido), Espanha (falida), Itália (falida), etc, etc...

Espero que não se deixem enganar pelos dirigentes quando vierem cobrar mais impostos a bem do sonho europeu, já que todos nós iremos ser obrigados a pagar as dívidas de um sistema económico à beira do colapso, financiado a bem da classe instituída. O problema não pode ser resolvido pela mesma classe que o provocou. Está na altura de irem embora e deixarem o mercado ajustar por si próprio.

Quando vemos o Constâncio, que no seu mandato deixou 2 bancos falirem graças a crimes cometidos, e outro como o BCP onde a gestão veio-se a descobrir era também ela fraudulenta, ir para vice-presidente do BCE está tudo dito. Os cargos políticos, neste sistema político não são atribuidos por mérito, mas sim pelas amizades, compadrios e favores que se fazem. Eu espero que cada vez mais pessoas abram os olhos, e impeçam esta palhaçada que é o nosso sistema dito capitalista continue (vivemos num sistema onde a oligarquia impera). Haja coragem para mandar o estado dar uma volta, reconhecer que quanto maior o estado maior a vigarice, desperdício e impostos e deixemos que o mercado se ajusta livremente. Ficam 3 gráficos, o da dívida de alguns países, para se enquadrarem com os vencimentos deste ano (esquema ponzi prestes a rebentar), o dos USA que neste momento é dos países com um sistema totalmente falhado e prestes a implodir e o gráfico mostra porque e por fim um chart para se verificar em que ponto os países mais evoluidos da Europa se encontram, relativamente a dívida criada. Por alguma razão estes países acham a dívida um disparate e por acaso são dos mais avançados a vários níveis da europa e do mundo.

Só rezo para quando isto der o estoiro, a populaça não queira mais Estado e reconheça de uma vez por todas que É ESSE O PROBLEMA... exemplos não faltam. Quanto mais à esquerda é o país, MAIS MISERÁVEL ELE É... Por alguma razão é e exemplos não faltam.


































Para quem pensa que a Grécia tem uma solução fácil...

Recomendo a leitura do report da Danske Research "Research Euroland : Debt on a dangerous path" para se ter uma ideia da tamanho do problema e como ele está a crescer de forma exponencial. O problema actual da Grécia é um problema inevitável praticamente para todas as economias da UE a não ser que comecem o enfrentar já. Esse "enfrentar" passa inevitável por cortes na despesa, começando com várias politicas sociais que embora bastante populistas são de eficácia dúbia para além de totalmente insustentáveis.

Temos assistido a várias noticias acerca de sucessivas reuniões em Bruxelas acerca de encontrar uma solução para o problema grego. Mesmo assim ficámos com a sensação que "a montanha pariu um rato", neste momento parece que a hipótese de ter a UE a ajudar em forma monetária (i.e. "bailout") será um último reduto para além que garantidamente iria impor um conjunto de regras de fazer corar qualquer governo neo-liberal. O que seria um sério contraste para um país que tem beneficiado de políticas sociais e "direitos adquiridos" em linha como : reforma aos 60 anos, 1 em cada 3 trabalhadores gregos é funcionário do Estado ou empresa pública.

A Alemanha dita as regras do jogo no que toca como e quando ajudar a Grécia. Talvez um factor que ajude ao cenário de "bailout" é o facto dos bancos alemães acumularem uma exposição relevante nesse mercado. Por outro lado muitas vozes na sociedade alemã (para além da oposição política e pessoas influentes no tema) manifestam-se contra a ideia de prestar qualquer ajuda económica à conta do contribuinte. Efectivamente para muitos já basta que os anos de superavit na economia alemã tenham sido anulados com os sucessivos orçamentos bilionários de ajuda para a UE.

Não é fácil prever o "outcome" dado que a decisão tem uma grande dose de "política" envolvida e daí tudo é possível. A decisão técnica aponta para um cenário de "não ajuda", obrigando a Grécia a ser responsável pelas as suas decisões do passado e fazer entender à sua população que viveu e ainda vive acima das suas posses. Há um novo paradigma económico a se desenvolver durante esta recessão e havendo retoma mundial é o consenso que a nível europeu será bastante anémica podendo inclusive existir um aumento das taxas de juro por parte do ECB o que seria desastroso para países já sobre-endividados. A política económica keynesiana de investimento público com ainda mais endividamento está provado não ser a alternativa, especialmente quando temos em conta que é o mesmo governo (de ideologia socialista de planeamento central) que iria escolher onde distribuir esse mesmo investimento público, uma formula fracassada vezes sem conta. Tempos de grande austeridade avizinham-se.

Update : Um report da JPMorgan acerca do estado de saúde do endividamento público da Zona-Euro, da sua moeda e possiveis saídas da crise actual, infelizmente nem todas como um saldo positivo: The Sick Men of Europe - The challenges of a monetary union in the middle age .

O completo descontrole de Portugal




É com muita pena que escrevo este post, já que é um post acerca do completamente descontrole de Portugal, um país quase a entrar em insolvência. Isto pode parecer estranho para alguns, já que saem à rua e veem sol, praia, pessoas afáveis, uma terra simpática. O problema está nos números e a embrulhada em que os políticos e corporações que mandam neles nos estão a meter e meteram. Infelizmente, graças às políticas vindas da cabeça de quem nunca geriu nada, colocou Portugal numa situação de muito difícil saída, aliás, perante o esquema que se vive na nossa sociedade, onde 6 milhões de pessoas recebem do estado, diria mesmo sem saída. Estamos portanto num beco sem saída e podem agradecer à falta de mercado livre, à falta de uma economia conduzida por incentivos empresariais e ao excesso de um estado, cada vez mais pesado, mais arrogante e mais regulador.

Não me vou adiantar muito, vou colocar aqui algumas frases de notícias e os leitores que tirem as conclusões. Reflictam, com base em muitos posts deste site acerca da dívida, em que sarilho Portugal está metido e para onde caminhamos. Sinceramente, após o que se está a passar, não vou escrever muito mais, já que as palavras podem sair mais para o insulto.

"O défice do subsector Estado até Novembro ultrapassou o 13 mil milhões de euros, o que equivale a cerca de três novos aeroportos de Lisboa, divulgou ontem a Direcção-geral do Orçamento (DGO) no seu boletim mensal. No ano passado o mesmo défice ficou-se pelos 6,1 mil milhões de euros, menos de metade."

"6 milhões de "cheques" por mês
Saiba quais são as prestações sociais pagas pelo Estado
Todos os meses, a Segurança Social faz chegar cheques-postais a milhares de famílias.
Entre pensionistas, desempregados, baixas médicas, abonos de família, licenças parentais - para citar apenas alguns casos -, no último mês de Setembro, o sistema de protecção social do Estado traduziu-se no pagamento de mais de 5,8 milhões de prestações no valor de 1,7 mil milhões de euros."

"Sector empresarial do Estado
Governo aprova indemnizações compensatórias de 457,4 milhões para 2009
O Governo aprovou hoje em conselho de Ministros 457,4 milhões de euros em indemnizações compensatórias para 2009, segundo adiantou o Executivo em comunicado. "

Ao lerem isto, pensem que o Estado português só pode ir buscar $ a dois sítios, ou à emissão de dívida ou aos impostos. Sendo que a emissão de dívida são impostos adiados. Pensem sobre o que irá acontecer aos impostos.

Dívida dos Estados - Soluções

As soluções credíveis para a questão podem englobar-se em 3 grupos: (a) aumentar impostos, (b) diminuir as despesas públicas ou (c) pedir aos bancos centrais que imprimam moeda.

Nenhuma das soluções está isenta de contra-indicações: no caso (a), é uma medida impopular, injusta (porque quem paga, na grande maioria das vezes, nada contribuiu nem beneficiou com o problema das finanças públicas) e que impede a recuperação das economias.

O caso (b), cria decisões difíceis, pois pode implicar despedimento de funcionários públicos ou diminuição de alguma regalia.

No caso (c), quando foi utilizada, esta solução resulta num aumento da inflação, e esteve na base de todas as hiper inflações do século XX.

Os políticos costumam preferir a solução (c), por ser a mais fácil e apenas ter efeitos negativos mais tarde.

Em segundo lugar, gostam da (a), porque podem sempre justificar que é uma solução temporária, devido a uma situação extraordinária, mas que nós que pagamos impostos bem sabemos que facilmente se torna permanente.

A solução (b), obriga os políticos a fazer má figura, por isso normalmente é a solução menos utilizada, a não ser que a situação seja mesmo muito difícil.

Para se saber o que é melhor para uma resolução sustentável do problema, isto é, sem efeitos altamente negativos para a economia, no longo prazo, é fácil: basta inverter as preferências dos políticos.

O desgoverno de Portugal




Meus caros leitores, como tenho vindo a afirmar, em artigos aqui escritos, e em conversas privadas, Portugal e outros países estão à beira de uma situação deveras grave e que se poderá agravar nos próximos meses. Quando falava da "falência" de Portugal riam-se, mas pelos vistos a realidade está mais próxima, como está presente neste artigo "S&P baixa "outlook" e avisa".

Tirando um excerto, pode ler-se "A agência de rating Standard & Poor’s (S&P) baixou hoje de "estável" para "negativa" as perspectivas ( "outlook" ) sobre o risco de incumprimento das obrigações decorrentes da dívida pública portuguesa. E deixa Lisboa de sobreaviso: novas descidas do rating serão praticamente inevitáveis porque, "na nossa opinião, será muito difícil ao Governo reduzir o elevado défice, num ambiente de baixo crescimento..."

Quando alguém, país ou pessoa, tem de pedir empréstimos cada vez maiores, para pagar a dívida anterior e os respectivos juros, é natural que esse esquema de pirâmide chegue ao fim, já que os credores um dia dizem basta, especialmente, se também ele, estiverem falidos, como é o caso de muitos países ditos desenvolvidos, incluindo Inglaterra e USA, para surpresa de muitos. Só não declaram a bancarrota pois podem produzir moeda em quantidades vergonhosas, injectando nos bancos e assobiando para o ar como se tudo estivesse bem... mas algo não está bem e a provar isso o Ouro atingiu máximo acima dos 1200.

Voltando a Portugal, este país não produz praticamente nada, é um país infelizmente de serviços, ESTADO e mais ESTADO e para sobreviver tem de se continuar a endividar a um ritmo assustador. A questão é quando os outros não nos emprestarem mais o que irá acontecer? Estes nossos políticos, governantes, quer portugueses, quer mundiais, que nunca geriram nada na vida estão a levar-nos para o buraco. Se houvesse um sistema livre isso não aconteceria certamente, já que os bons eram recompensados e os maus penalizados, não havia o incentivo aos lobbies, nem ao regime bancário fraccional, etc, etc. Agora meus caros leitores preparem-se... porque a bancarrota de Portugal e outros aproxima-se e no próximo estoirar de bolha, "bolha da dívida"... a coisa vai ficar feia. Agradeçam ao regime que temos de momento, que tem tudo menos livre.

Obama, Sócrates, Lula, etc, etc é tudo farinha do mesmo saco. São políticos profissionais, lá mantidos pelos lobbies no poder. Não pode ser apenas um ou alguns a decidir o futuro, eles não são deuses ou iluminados. Quem tem de gerir a economia é o mercado livre, constituído pelos empresários e empreendedores. De uma vez por todas vamos abrir os olhos antes que seja tarde demais... E o meu receio é que quando isto der para o torto as pessoas se queiram refugiar mais no estado... Como já li em algum lado, vamos ter de decidir em breve se queremos mais estado (escravidão) ou liberdade. Não podemos ter das duas... e já está mais que provado que mais estado é a morte de um país.

Tenham coragem.

Dívida: um verdadeiro "peso-pesado" no combate ao crescimento económico


Todos sabemos que quando temos enormes dívidas não nos podemos dar ao luxo de consumir desalmadamente. Isto é verdade para todo e qualquer agente económico, seja ele o próprio leitor, uma empresa ou até o Estado. Na realidade uma das premissas de qualquer modelo macroeconómico digno desse nome, é a restrição onde o valor actual das dívidas futuras é igual a zero. Quer isto dizer que existe limites ao endividamento, pois quanto maior o nosso endividamento, maior dificuldade teremos em contrair empréstimos dado que os agentes que estão dispostos a emprestar apercebem-se que as nossas receitas começam a não dar para cobrir o serviço da dívida. Ora é exactamente isto que se começa a passar um pouco por todos os Estados ocidentais. De facto, colocar dívida do Governo Português, Espanhol ou até mesmo Americano já não é tão fácil e tão "favas-contadas" como o era.
Assim sendo, se os Estados se encontram tão endividados parece óbvio que, tal como num empréstimo, os pagamentos sejam efectuados em suaves prestações.
No entanto, dado que os Estados começam a ultrapassar largamente os limites do razoável, é bem provável que estas suaves prestações transitem para as gerações vindouras, nomeadamente a dos nossos filhos e netos, "felizmente" para nós e infelizmente para eles.
Os nossos descendentes irão herdar um mundo onde provavelmente serão confrontados com a inexistência de pensões de reforma, com o sucessivo adiar de investimentos em infraestruturas importantes e com uma pesada carga fiscal.
Tudo isto para que se possam pagar as dívidas que os pais e os avós contrairam enquanto andavam a consumir o que não tinham, colocando em cima da mesa graves questões éticas e de justiça intergeneracional.

O prémio Nobel da economia, Edmund Phelps, afirmou recentemente que a dívida acumulada pelo Governo Americano, vai inibir o crescimento económico durante as próximas décadas e que (passo a transcrever):
"Agora que a economia norte-americana vai tocar no fundo e começar a sua recuperação, temos um nível muito elevado de endividamento do Estado, uma situação que só será sustentável com um preço do imposto marginal muito elevado durante vários anos, o que vai adiar várias actividades inovadoras"

Tal cenário faz-me lembrar um pouco os pagamentos das indemnizações de guerra: por exemplo a Finlândia só após ter acabado de pagar as despesas de guerra à Rússia, é que pôde efectivamente virar-se para si e procurar o crescimento.
Contudo, não saimos de nenhuma guerra, estas indemnizações de "guerra" estão a ser atribuídas a empresas que falharam redondamente no campo da competência e que não foram penalizadas por isso, muito pelo contrário.
Pessoalmente se fosse CEO de alguma grande empresa do género da GM ou de algum grande banco, ficaria bastante contente, pois saberia que independentemente da competência dos actos da minha gestão, virá sempre um Estado salvador para me atribuir uma choruda recompensa e salvar a minha empresa da desgraça. Este precedente muito grave que se abriu incentivar-me-ia a investir loucamente em projectos de tudo ou nada: se perdesse tudo, saberia que viria o Estado ajudar-me; se ganhasse bastante, ficaria com os lucros para mim.
O leitor poderá ser levado a pensar que sou contra o capitalismo, mas não se trata nada disso, muito pelo contrário. Sou claramente a favor do capitalismo, mas do capitalismo onde realmente vinguem as leis da concorrência, as leis do mais forte, onde as empresas com fraco desempenho sejam penalizadas, e as empresas com boa performance sejam recompensadas.
Será pedir muito?

Cuidado com o Leviatã


O Leviatã anda por aí…esse grande monstro, assustador, comilão de recursos, com enormes tentáculos que chegam a todos os sectores da economia, com uma certa tendência para coexistir na economia Portuguesa, com especial incidência em época de eleições…

Depois do TGV, do novo aeroporto, da terceira autoestrada Lisboa-Porto eis que é agora o metropolitano de Lisboa que decide em cerca de 10 anos, investir em mais 29 km de rede, 30 estações, num investimento de 2.500 milhões de euros.

O que significa, aumentar o número de estações e a dimensão da rede em cerca de 70%.

Não é de admirar que com uma derrapagem na dívida pública surjam rumores de uma nova revisão em baixa do rating soberano de Portugal. Aliás a sociedade de rating Fitch decidiu recentemente baixar o outlook de estável para negativo, já a antecipar uma eventual pioria do rating.

Fico no entanto por um lado descansado pois em Portugal quando se diz que a obra estará pronta em 2020, na realidade isso significa que a obra estará pronta apenas em 2040, pelo que o dispêndio de recursos será feito em prestações mais suaves.

Mas também fico apreensivo pois em Portugal quando se diz que a obra custará 2.500 milhões de euros, na realidade isso significa que a obra custará 5.000 milhões de euros.

Qual destes efeitos irá prevalecer? Veremos…