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Inflação no Zimbabwe

Com tanto Quantitative Easing, será este o futuro dos Estados Unidos?


A Verdadeira Razão para a Subida das Bolsas

O Zero Hedge demonstra como foi feito aquilo que já muitos suspeitavam: os fortes ganhos da bolsa americana, em Setembro, não se deveram a uma melhoria na economia real mas a injecções de dinheiro, por parte do Fed.

A comprovar esta evidência, estão as subidas nos preços do Ouro e de outras commodities, e a desvalorização do Dólar contra moedas como o Euro ou o Yuan. Podem ser os primeiros sinais da inflação que se aproxima, nos EUA.

Japão


A economia japonesa tem sido um enigma para muitos economistas, desde 1990. Por um lado, há alguma controvérsia sobre a razão pela qual, apesar do Banco do Japão ter mantido taxas de juro de referência muito baixas, desde há quase 20 anos, isso não ter causado inflação alta, enquanto, muito pelo contrário, em muitos destes anos até houve deflação.

Quando os bancos centrais querem criar moeda, a sua arma é a taxa de juro de referência. Quando colocam essa taxa abaixo daquilo que seria a taxa de mercado livre, os bancos têm mais incentivo a contrair empréstimos, que depois colocam no mercado de crédito. Porque razão isto não tem resultado em inflação alta, no Japão?

Como sabemos, os japoneses são dos povos que mais poupam, em todo o mundo. Logo, o mercado japonês de crédito teria muita liquidez resultante das poupanças elevadas, pelo que naturalmente, seria provável a taxa de juro estar a níveis baixos, mesmo sem a existência de um banco central.

Como a taxa de juro de referência se encontra muito próxima da que seria a taxa de juro num mercado livre, não tem havido criação significativa de moeda (como se pode ver no gráfico), no Japão, o que explica a inflação não ter sido um problema.

Ao contrário dos economistas monetaristas e keynesianos, eu acho que isso tem sido positivo, impedindo a criação de maiores distorções, na economia nipónica.

Por outro lado, se a politica monetária não tem tido efeito significativo, então porque anda o Japão em recessão há 20 anos?

Tal como todas as bolhas, a japonesa dos anos 80 teve origem no crédito fácil. Antes da bolha rebentar, em 1990, a capitalização bolsista japonesa era 42% da capitalização bolsista mundial, e equivalia a 151% do PNB do país, contra 29%, em 1980. O valor imobiliário do Japão, era 5 vezes o PNB, mesmo depois do crash de 1990. Em 1998/9, o mercado bolsista e imobiliário tinha perdido 80%, em relação ao auge da bolha.

Desde 1990, os sucessivos governos têm embarcado em vários pacotes de “estímulos”, seguindo a cartilha keynesiana. Por outro lado, houve vários salvamentos de alguns grandes bancos e empresas japonesas. Para os keynesianos, o facto da economia continuar estagnada, após todos estes estímulos, é prova da gravidade da recessão e de que os governos foram muito brandos nos estímulos. Isto é, obviamente, ridículo, e apenas demonstra como os seguidores de Keynes se encontram mais uma vez perdidos, sem conseguir entender o porquê do falhanço das suas recomendações.

A economia japonesa, não recuperou precisamente por causa dos repetidos planos de estímulos, que retiram recursos ao sector privado e os entregam a políticos e burocratas. Os governos não deixaram a recessão acontecer, e a recessão é o período em que a economia elimina os maus investimentos realizados durante o boom, e promove a reestruturação dos factores de produção, tendo em conta as preferências dos consumidores, sendo essencial para a recuperação total após os excessos causados pelo crédito fácil. O boom é uma situação insustentável, pelo que qualquer tentativa governamental de o ressuscitar está condenada ao fracasso e apenas impede o regresso rápido a uma economia saudável.


Infelizmente, esta é uma lição que muito poucos políticos estão dispostos a aprender, quer sejam japoneses, portugueses, americanos, etc., porque seria admitir que nós não só não precisamos assim tanto deles, como estaríamos bem melhor se eles tivessem um papel muito mais reduzido, nas nossas sociedades.

Inflação Começa a Subir


Em Agosto, a taxa de inflação foi de 1,9%, em relação a Agosto de 2009, em Portugal, segundo o INE.

Caso se confirme, nos próximos meses, a continua subida da inflação, e que isto ocorre de forma generalizada em toda a Zona Euro, o BCE terá cada vez menos espaço de manobra para manter as taxas de juro a 1%.

Quando as taxas de juro reais do BCE sobem, este diminui a emissão de moeda para os mercados de crédito, deixando de suportar actividades que foram iniciadas e/ou mantidas artificialmente (em detrimento de outras que o mercado preferiria, para responder às necessidas dos consumidores, expressas através da relação entre os preços dos bens e serviços da economia, das matérias primas, etc.).

No início dos anos 2000, as taxas de juro foram artificialmente baixadas, para impedir a recessão que se seguiu ao rebentar da bolha das empresas tecnológicas. De facto, aquela recessão demorou "apenas" uns 2 anos, mas o mercado de crédito, inundado de liquidez, deu origem à bolha do mercado imobiliário.

A bolha do mercado imobiliário rebentou, quando os bancos centrais começaram a subir as taxas de juro, para manter a inflação sob controlo. Com a subida dos juros, muitos proprietários deixaram de conseguir pagar os seus empréstimos aos bancos.

As taxas de juro artificialmente baixas, desde 2008, não deram origem ao começo de novas actividades, mas evitaram, por um lado, o desaparecimento de uma boa parte do sector financeiro, que durante a bolha tinha tomado riscos excessivos, e, por outro, a falência de alguns estados (parte dos riscos excessivos dos bancos foi precisamente comprar demasiada dívida pública de certos países).

Quando o BCE cortar na linha de liquidez, o resultado pode vir a ser o descalabro dos bancos zombies e a bancarrota de alguns estados.

Como sabemos, tanto os bancos portugueses, como o nosso estado, estão altamente dependentes dos empréstimos do BCE, pelo que, caso este cenário se confirme, Portugal pode ser dos países mais afectados.

Se o BCE não subir os juros, para controlar a inflação, o resultado será, no limite, uma hiperinflação. Mas não me parece que os alemães vão permitir que tal aconteça, depois da experiencia dos anos 20 do sec. XX.

PS: Na minha opinião, não faz sentido exlcuir energia e bens alimentares dos indices de preço dos consumidores, e a verdadeira razão pela qual os bancos centrais gostam destas exclusões é porque podem apresentar números mais baixos para a inflação, mascarando a realidade. Normalmente, estes bens são precisamente os primeiros a registar os sintomas da inflação.

House Slaves, if you're lucky

Legacy of Debt - Investments: Where is the Money in 2010 – What are the Risks?

No fórum acerca de mercados financeiros Russia 2010 Forum. Marc Faber apresenta um painel de Gestor de hedge funds e coloca a questão "Se tivessem 100M$usd para investir, onde o colocariam durante este ano de 2010?"

O consenso é que as economias desenvolvidas estão sobre-endividadas e embora haja bastante atracção pelo risco enquanto senhores como Bernanke e Larry Summers estiverem ao volante, a longo prazo (talvez não tão curto como isso como se vê pelo caso da Grécia/UE) o cenário será inevitavelmente bastante diferente. Outra visão partilhada é que Equity Markets estejam sobre-valorizados em 2010, Bancos ocidentais são outro alvo de Short.

Algumas das ideias mencionadas :
- Segurar cash até 2010H2 e aí caso a retoma seja sólida investir em emergentes;
- (1.5 units) Short SPX vs (1 unit) Long Gold;
- Enquanto houver Quantitative Easing nos EUA, UK, Japão (e risco de bailout na Zona Euro) - Apostar na inflação (e quem sabe hiper-inflação). Short USD e GBP vs Long Commodities;
- Short SPX, Short US Banks;
- Long Dividend Futures on Large Caps. Devido ao processo de desalavancagem e eventualmente baixo Capex, há uma grande probabilidade aumento de dividendos.

    Speakers
  • Nassim Taleb
    Distinguished Professor, New York University Polytechnic Institute
  • Marc Faber
    Editor and Publisher of "The Gloom, Boom & Doom Report"
  • Michael Gomez
    Executive Vice President and Co-head of Emerging Markets, PIMCO Europe
  • Hugh Hendry
    CIO and Founding Partner, Eclectica Asset Management
  • Ashot Khachaturyants
    CEO, Sberbank Capital
  • David North
    Director, Head of Asset Allocation, Legal & General Investment Management
  • Michael Power
    CIO, Investec Asset Management

Os amigos da onça estão de volta

A onça de ouro voltou a ultrapassar mais uma vez o valor histórico de 1.000 dólares.
Cada vez mais o ouro parece ser a commodity de refúgio...ou talvez não!
Uma das regras mais básicas da economia é a de que intensas injecções de dinheiro (por intensas entende-se uma taxa de crescimento monetário superior à taxa de crescimento da economia) levam necessariamente a um aumento da taxa de inflação.
Vamos pensar numa economia muito simples, designada por país República das Banandas, onde o único produto do país, por simplificação de raciocínio, são precisamente bananas.
Admitamos que esta economia produz anualmente um produto real de 2.000 bananas e que a quantidade monetária em circulação é de 10.000 unidades monetárias (u.m). Fazendo uns cálculos muito rápidos apercebemo-nos que para a economia absorver as 1.000 u.m., é necessário que o preço de cada banana seja de 10.000 u.m. / 2.000 bananas, ou seja, cada banana custará 5 u.m. Mas e se de repente o governo decidir "ajudar" esta economia, injectando mais 2.000 u.m. no sistema bancário, através do banco central local?
Simples, aí o preço das bananas passará a ser de 12.000 u.m. / 2.000 bananas, ou seja, 6 u.m. por banana. Como se pode ver o preço das bananas subiu de 5 para 6 u.m.
Através deste exemplo muito simples conseguimos deduzir a famosa equação de Fisher:

P. Y = M. V onde P é o nível geral de preços, Y é o produto, M é a moeda em circulação e V é a velocidade de circulação da moeda

No estado da economia actual, com taxas de crescimento muito baixas ou mesmo negativas e com as enormes injecções de dinheiro para "ajudar" a economia parece credível a subida do nível geral de preços.
Ora se pensarmos que estas injecções de dinheiro foram atribuídas muitas vezes não para apoio efectivo das empresas, mas sim como forma de pagamento de prémios chorudos a administradores de empresas e de bancos que se revelaram incompetentes e mesmo de um ética muito duvidosa, parece-me que está encontrada uma das razões para a subida da cotação do ouro.
Naturalmente que em tempos de crise e de desconfiança, grande parte dos investidores se refugiam no ouro, mas provavelmente estamos a assistir igualmente a um efeito de inflação: com excesso de dinheiro, os investidores decidem investir nas commodities (e não só), inflaccionando severamente os seus preços, nomeadamente da cotação da onça do ouro.
Os amigos da onça estão de volta!
Interrogo-me se esta escalada de preços é sustentável, pois caso o seja, tal significa que o preço das commodities (não só o ouro, mas o cobre, o petróleo, entre outros) irá ter reflexo em todo o sistema produtivo e traduzir-se no aumento do preço dos bens.
Vamos esperar para ver...

Inflação no Império Romano

http://mises.org/story/3663

Neste artigo do Mises Institute, o autor fala do papel que a inflação (e os impostos) teve no minar dos alicerces do Estado Romano, quando a vida das populações se tornou tão insuportável ao ponto de a maioria preferir ser capturada pelos bárbaros do que voltar a cair nas malhas da burocracia romana.

Num apontamento totalmente independente (ou talvez não...), seguem abaixo 2 gráficos com a evolução da base monetária nos EUA:

Ainda vão a tempo de evitar a queda de mais um império, mas para isso há que mudar radicalmente de rumo.