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Apoiar Exportações, Mais Uma Falácia

Ultimamente temos ouvido muitos políticos, economistas, especialistas, comentadores, etc. defenderem que devemos incentivar as exportações, como forma de sairmos da crise.

Estes incentivos podem ter várias formas, como por exemplo, a baixa de impostos para empresas exportadoras. Sou a favor de todas as reduções de impostos, ou simplificações da burocracia imposta pelo estado, mas contra criar distorções a favor de algum sector, quer seja o sector exportador, ou outro qualquer. O sistema de preços, quando deixado funcionar livremente, já se encarrega de aplicar os recursos de forma eficiente, o que inclui a decisão se determinado bem deve ser vendido para o mercado interno ou deve ser exportado. Qualquer alteração forçada, só leva a aplicações menos eficientes, com piores resultados para a economia como um todo (com ganhos para aqueles ligados ao sector beneficiado, mas em detrimento de todos os outros, nomeadamente dos consumidores portugueses).

Se estivermos a falar de subsídios à exportação, ou linhas de crédito, então sou completamente contra, porque não acho legitimo obrigar os contribuintes a pagar para benefício de empresas com fortes ligações políticas.

Como conceito, apoiar as exportações parte da mesma base teórica do mercantilismo e da crença de que é o consumo que faz uma economia crescer, o que é uma das maiores falácias económicas de todos os tempos, mas que é perpetuada por justificar uma forte intervenção dos governantes na economia, para além de beneficiar certos grupos de interesse.

Apoiar as exportações, também passa a ilusão de ser uma solução fácil, ou pelo menos, mais rápida do que deixar o mercado funcionar, o que não só é falso, como não passa de mais uma oportunidade dos políticos aumentarem a sua influência. E mais uma vez, com consequências muito perigosas para o nível de vida dos portugueses…

(Des)Emprego 2010


Mais uma vez o governo tira da cartola uma medida que é muito boa para o marketing mas que, na prática, apenas nos deixa globalmente mais pobres e não ajuda à criação de emprego produtivo, em Portugal.

Com a Iniciativa Emprego 2010, o estado incentiva as empresas a contratar mesmo que isso não crie riqueza para a economia, ao contrário do que acontece quando o mercado funciona livremente.

Como o estado paga 65% do salário (para empresas privadas com fins lucrativos), destes estágios, e as empresas pagam 35%, pode suceder a seguinte situação: para um salário de 1000 Euros (para simplificar as contas), a empresa apenas paga 350 Euros, com o restante pago pelos nossos impostos. Se a produtividade do trabalhador levar à criação de riqueza no valor de 400 Euros/mês, a empresa faz bem em contratar, porque ganha 50 euros/mês, no entanto, o custo para a economia de ter aquela pessoa a trabalhar é de 1000 Euros, ou seja, com isto houve uma destruição directa de riqueza no valor de 600 Euros.

Como os 650 Euros pagos pelo estado foram "angariados" através de impostos, a destruição de valor no sector privado foi superior a esses 650 Euros (quem não perceber como isto acontece pode ver vários posts sobre o assunto neste blog).

Com esta destruição de riqueza, muito dificilmente, o programa irá criar mais empregos do que destrói, pelo que, até no seu objectivo mais directo, vai acabar por ter o efeito contrário do pretendido (tal como acontece "quase" sempre com este tipo de intervenções por parte do estado).

A única parte boa nesta iniciativa, é a baixa de impostos, para algumas situações, só é pena não ser para todas as contribuições para a segurança social de todos os trabalhadores, acompanhada de uma redução da despesa pública (sem ir buscar a receita perdida aumentando outro imposto qualquer). As empresas, agradeciam. Os desempregados, que arranjariam emprego produtivo e sustentável, agradeciam ainda mais.

Para terminar fica só o paragrafo que resume os resultados da iniciativa semelhante, em 2009:

"Dados sobre a execução da Iniciativa Emprego 2009 mostram que, no final de Setembro, os apoios à contratação sem termo e à redução da precariedade entre adultos e grupos específicos abrangeram apenas 644 pessoas, em vez das 12 mil previstas. Já os apoios aos jovens abrangeram 5.500 pessoas, face às 20 mil previstas."