Reforma do Sistema de Saúde Americano

Com esta medida os EUA caminham mais no sentido do estatismo, ainda por cima numa das áreas mais sensíveis da sociedade.

Quando o estado aumenta o seu poder sobre os cuidados de saúde é impossível que o custo social venha a cair e a qualidade venha a melhorar, porque são criados incentivos que promovem o desperdício e nivelam o serviço por baixo, como em todos os casos em que o socialismo é aplicado.

Apesar de ser mais livre que o sistema socialista europeu, o sistema de saúde americano está longe de ser um mercado livre, como os nossos meios de comunicação muitas vezes o caracterizam. A verdade é que muitos dos seus problemas são causados precisamente por causa da intervenção do governo, que impõe fortes regulações, que têm como resultado aumentar largamente os custos do serviço, levando à exclusão de milhões de americanos pobres de qualquer tipo relevante de cuidado de saúde.

No entanto, os políticos socialistas, tal como Obama, quando estão perante problemas no mercado, que por acaso foram criados pela intervenção do estado, pretendem resolvê-los com mais intervenção do estado. Isto faz tanto sentido como querer curar um toxicodependente com sucessivas doses de cocaína.

Como sempre, ainda tentam atirar mais areia para os olhos das pessoas, defendendo que vão gastar mais mas o défice ainda vai diminuir porque vão cobrar mais impostos aos ricos. Olhando para a nossa experiência do passado de todos os planos públicos, em todos os países do mundo, sabemos perfeitamente que os custos serão muito maiores do que o planeado e isso de cobrar mais aos ricos é pura ilusão.

Para finalizar deixo algumas questões: em todos os países desenvolvidos, os sectores da saúde e financeiro são dos mais regulados pelos estados, no entanto, são os que maiores distorções de mercado apresentam e maiores problemas criam, será coincidência? Será que curamos essas distorções com mais regulações ou com mais liberdade individual? Noutros sectores da economia em que os estados intervêm pouco, os preços tendem a baixar e a qualidade a aumentar, que tal tentar isto na saúde?
Artigos interessantes: link 1, link 2.

3 Comentários:

Midas disse...

Relativamente ao assunto, já se fazem notar as consequências...

http://market-ticker.denninger.net/archives/2117-That-Didnt-Take-Long.....html

"From the forum:

"So I just got a call from my health insurance provider. My family rates are going up $200/month ... $2400/year per employee effective April 1st. Didn't take long after signing to get this s**t going.

So much for the "my plan will save Americans" $2500/year in Healthcare premiums.

F***ing liar in chief. "

Ou seja, vão aumentar os custos para quem pode pagar e piorar em muito o serviço. O mesmo de sempre, empobrecer a população e nivelar o estilo de vida por baixo. É triste ver para onde está a caminhar a América, outrora uma superpotência, hoje apenas um país socialista à beira da ruptura. Faz-me lembrar a Rússia antes de implodir.

EIMV disse...

Desculpa mas não posso concordar com esta opinião.
Considero-me bastante liberal, mas sinceramente acho que o Estado deve providenciar os cuidados essenciais aos seus cidadãos. A Saúde é um desses casos. Deveria ser tendencialmente gratuita para todos. Agora é óbvio que isso é mto dificil de implementar, pelo que não existem modelos perfeitos. O que o Obama implementou pode não ser perfeito, tal como não era o sistema anterior, mas pelo menos tentou fazer alguma coisa... Com muitos obstáculos da oposição e interesses instalados sem bem me lembro... Mas se vier a aumentar o acesso do sistema de saúde a mais pessoas, penso que é um bom passo para melhorar, não?

Marco disse...

Geralmente é o mau serviço de saúde prestado pelo estado que acaba por excluir uma parte significativa da população de cuidados básicos de qualidade. O mau serviço do estado, normalmente, acaba por prejudicar sobretudo precisamente aqueles que pretende beneficiar, ou seja, os pobres.

Se há um serviço/cuidado que é prestado, há recursos escassos da sociedade que são consumidos. Se há recursos escassos consumidos, há um custo. Se há um custo, deve haver um preço que o reflicta. Por isso, acho que a saúde deve ter preços como qualquer outro sector.

Quando o preço é pago (directa ou indirectamente) por quem beneficia do serviço, criam-se incentivos que de outra forma não existem, nomeadamente para a redução de custos e para a inovação. Se há incentivos para o custo diminuir, em princípio, no longo prazo o serviço tenderá para estar acessível a toda a população. Com a inovação, tentam-se atingir novos clientes/pacientes, no caso da saúde, p.e. curando novas doenças, ou criando formas mais baratas de produção ou prestação de serviços.

Os problemas do sistema de saúde americano advinham sobretudo da intervenção do estado, principalmente por causa da regulação que tornava o sistema demasiado caro (afastando milhões de americanos pobres), portanto acho que a solução devia ser acabar com essas regulações e permitir que eventuais problemas fossem resolvidos pelos tribunais. Aumentar a intervenção do estado, para resolver problemas criados por outra intervenção anterior, parece-me que é um passo no sentido errado.