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Devemos Desejar uma Sociedade Igualitária?

Uma das ideias políticas mais propagadas, defende que a sociedade ideal, de um ponto de vista ético, deveria ter igualdade de rendimentos entre os seus membros. Um slogan, muito conhecido, defende até: "produção capitalista, com distribuição socialista". Será isso possível? Se, partindo de uma sociedade capitalista, pudéssemos tirar o que uns ganham acima da média, e dar àqueles cujo rendimento se encontra abaixo da média, seria possível atingir esse "ideal social"?

De facto, este ideal, nada diz sobre o efeito de tal transferência de riqueza no total da produção. Será que a média de rendimentos ficaria inalterada? Uma transferência forçada, em que se tira aos mais produtivos, para dar aos que produzem menos, não irá levar a uma menor produção?

No entanto, por mais importante que pareça responder a esta questão, não basta saber se haverá uma queda na produção global, porque mesmo que a média de rendimentos seja inferior numa sociedade "igualitária", pode haver quem ache que a igualdade é um objectivo tão importante que, ainda assim, deva ser perseguida. Esta posição, apenas é desarmada se demonstrarmos que a média de rendimentos da sociedade igualitária será inferior ao nível de rendimento dos mais pobres da sociedade capitalista.

Efectivamente, o nível de produtividade tenderá para ser consideravelmente mais baixo na sociedade igualitária, devido ao problema do desincentivo à produção, uma vez que (1) quem produz acima da média apenas tem direito à média (ou seja, não vale a pena produzir acima da média), e (2) quem está abaixo, mesmo que produza pouco (ou nada), continua a ter direito à média. Também são desincentivadas actividades que aumentam a produção no futuro, como a poupança, o investimento e o empreendedorismo. Tudo isto, leva a que a produtividade seja fortemente afectada e, consequentemente, também o produto disponível para ser dividido pelos cidadãos.

Na sociedade capitalista, em que é natural existir desigualdade de rendimentos (porque uns são mais produtivos, uns querem trabalhar mais que outros, uns nascem no meio de famílias mais ricas, outros mais pobres, a sorte sorri mais a uns que a outros, etc.), o processo de mercado livre tende para elevar o nível de vida da generalidade dos seus membros, em particular, dos mais pobres. Usando as palavras de Mises: "Capitalism is essentially a system of mass production for the satisfaction of the needs of the masses. It pours a horn of plenty upon the common man. It has raised the average standard of living to a height never dreamed of in earlier ages. It has made accessible to millions of people enjoyments which a few generations ago were only within the reach of a small elite."

Dois exemplos de que os pobres são os maiores beneficiados pela liberalização dos mercados, são a Revolução Industrial em que inúmeros bens que estavam reservados aos mais ricos dos nobres, em poucas gerações ficaram finalmente ao dispor do povo, ao ponto de ao compararmos a situação dos operários entre o principio e o fim do Sec.XIX, vemos que os seus salários aumentaram, consumiam mais, tinham maiores poupanças, as esperanças médias de vida eram superiores, tinham famílias maiores, etc.. Um exemplo mais recente, é o dos países emergentes que ao abrirem as suas fronteiras às transacções com o exterior, nas últimas décadas, viram os seus níveis de vida reduzirem o abismo que os separava dos países ocidentais.

No longo prazo, tendo em conta os incentivos criados, é inevitável que o nível de rendimento dos pobres da sociedade capitalista, com a sua tendência crescente, acabe por ultrapassar a (reduzida) média de rendimentos da sociedade igualitária. Só podemos concluir que, mesmo de um ponto de vista ético, o sistema igualitário não tem justificação. O sistema verdadeiramente ético e humanista, é o Capitalismo de mercado livre.

PS: Se, para além de igualitária, a sociedade também for socialista, com propriedade comum dos meios de produção, Mises demonstrou que, o problema do cálculo económico, torna esta sociedade inviável. No mercado livre, a interacção entre compradores e vendedores leva a um preço de transacção, tendo por base a relação entre a oferta e a procura, para cada bem, serviço, factor de produção, etc. A ausência de mercados, dado que toda a propriedade é pública, leva a que não existam preços livres, tornando impossível tomar decisões não arbitrárias sobre a distribuição de recursos pelas inúmeras actividades da economia, tendo como resultado o caos económico. É um facto conhecido que, para minimizar este problema, nos planos centrais dos antigos países comunistas do leste da Europa, eram utilizados os preços obtidos nos mercados dos países ocidentais, o que permitiu à União Soviética sobreviver durante 80 anos.

Como o Capitalimo Salvou os Mineiros Chilenos

Ludwig Von Mises - Defensor do Capitalismo

Aqui fica o link para o texto do aluno de Ludwig Von Mises, George Reisman, por ocasião do centenário do nascimento do grande mestre, em 29 de Setembro de 1981, onde detalha, brevemente, as contribuições mais importantes de uma das maiores mentes, do Sec. XX.

Infelizmente, hoje as suas ideias continuam a ser largamente ignoradas, com consequencias pesadas para o nível de vida de todos nós, uma das quais é a crise internacional que começou há 3 anos, em relação à qual ainda não conseguimos ver a luz ao fundo do tunel (caso tivessemos seguido Mises, 1º esta crise não teria acontecido, 2º se só o seguissemos depois da crise começar, esta já teria acabado há muito tempo). No entanto, há sinais de esperança porque, apesar de continuarem a ser uma minoria, o número dos defensores da liberdade e do capitalismo aumenta de dia para dia, à medida que mais pessoas vão abrindo os olhos para o atoleiro, em que fomos deixados por décadas de politicas económicas erradas.

O Futuro

Abaixo fica um documentário interessante sobre como algumas invenções podem facilitar a nossa vida no futuro. Este documentário tem tudo a ver com o Capitalismo: criatividade, empreendedorismo, projectar soluções para problemas, risco... Só podemos pedir que os estados não impeçam estas (e outras) inovações, através de regulações ou de mais impostos, que reduzem o incentivo à actividade empresarial.


Os Novos Conservadores

Este artigo de opinião, vem mais uma vez demonstrar como a esquerda se transformou, de progressista (segundo os próprios esquerdistas) em conservadora. Hoje, concentra-se sobretudo em defender as alegadas “conquistas sociais” (na minha opinião, os “beneficiários” perdem mais do que ganhariam num verdadeiro sistema capitalista) e grupos de interesse, como os funcionários públicos (que já são, no geral, dos cidadãos com mais direitos da nossa sociedade).

O programa do PSD, continua a ser estatista e não é o que eu defendo, embora o considere um avanço em relação à situação actual, porque dá mais liberdade aos pais, na educação, e aos utentes, na saúde. No entanto, não pretendo defender o programa do PSD, mas antes mostrar como, o conservadorismo socialista do autor do artigo, é errado.

A escola pública, como existe hoje, aumenta as divisões sociais, para além de ter um nível de qualidade muito baixo e com tendência a cair. Os alunos de famílias pobres, ficam obrigados a frequentar essas escolas, onde recebem uma educação deficiente, com consequências para o seu futuro, enquanto as famílias com mais posses podem enviar os filhos para escolas privadas, onde vão receber uma formação que lhes dará oportunidades a que os restantes dificilmente terão acesso. Na saúde, a situação é idêntica, com os pobres obrigados a esperar horas em filas de espera, nas urgências, ou meses à espera de uma operação, enquanto os ricos podem pagar por um serviço superior, que nunca estará disponível para os mais desfavorecidos.

Antes do 25 de Abril, de facto havia muitos analfabetos e o acesso à saúde era reduzido, mas grande parte da culpa era do próprio estado que restringia o aparecimento de privados a oferecer esses serviços, para proteger as escolas e hospitais já existentes da concorrência, muitos deles públicos, pertencentes à Igreja, ou a grupos com ligações ao poder (ainda no outro dia li algures, sobre o caso Feteira, que o senhor quis fazer um hospital psiquiátrico, em Portugal, que foi chumbado pelo estado novo).

Na América, em meados do sec. XIX, ainda não havia leis a obrigar a frequência escolar, nem havia escolas públicas, em muitos estados, no entanto, como também não havia leis a restringir a oferta de serviços de educação, em alguns estados a taxa de alfabetização era superior a 95%. Relembro também este post, sobre escolas privadas, em favelas nigerianas.

Quando o mercado é deixado funcionar, na educação, na saúde, ou noutra área qualquer, a tendência de longo prazo é para os custos baixarem, ao mesmo tempo que a qualidade e a cobertura sobem, por acção da concorrência entre as empresas que pretendem fornecer esse serviço, porque só assim conseguem atrair os consumidores. Pode ver-se o caso dos telemóveis, mesmo com uma restrição estatal ao número de fornecedores do serviço, os preços tanto das chamadas, como dos próprios telemóveis, baixaram, ao mesmo tempo que o serviço melhorou (não é perfeito, nem nunca será, mas não há dúvida que melhorou), quase todos os portugueses têm pelo menos 1 telemóvel (quando apareceu era um bem de luxo, hoje é banal), e é um sector marcado pela inovação. No sector público, acontece o contrário (lei de Gammon).

Se calhar, vivemos num país pobre precisamente por termos demasiados políticos, e intelectuais, conservadores de esquerda, porque os países/pessoas/famílias pobres são os que mais beneficiam com a liberalização das economias, e os que mais perdem com o socialismo.

"If I were (...) told I would have grandchildren who might be poor, and I wanted to protect their lives, I would surely pick capitalism, not a welfare state, as their best protection. " - Walter Block

3 Vivas para o Capitalismo

Aqui fica o link para o estudo de Peter Leeson, sobre a relação entre capitalismo e desenvolvimento, nos últimos 25 anos.

"According to a popular view that I call “two cheers for capitalism,” capitalism’s effect on development is ambiguous and mixed. This paper empirically investigates that view. I find that it’s wrong. Citizens in countries that became more capitalist over the last quarter century became wealthier, healthier, more educated, and politically freer. Citizens in countries that became significantly less capitalist over this period endured stagnating income, shortening life spans, smaller gains in education, and increasingly oppressive political regimes. The data unequivocally evidence capitalism’s superiority for development. Full-force cheerleading for capitalism is well deserved and three cheers are in order instead of two."

Everything's Amazing & Nobody's Happy

Vídeo do cómico Louis C.K. ironiza com o facto de tomarmos como garantidas, mesmo como um direito natural, todas as regalias trazidas pelo capitalismo.

"Capitalismo: uma história de amor"


Este fim-de-semana fui ver o filme "Capitalismo: uma história de amor" do Michael Moore.
Já no seu conhecido estilo sarcástimo, Michael Moore tem a descoberto as "falhas" do capitalismo nos EUA. Não querendo contar a história do filme, para não aborrecer quem está a pensar em ir ver o filme, convém dizer que estas "falhas" se situam ao nível da corrupção e do querer ter sempre mais dinheiro. Infelizmente nunca haverá nenhum sistema perfeito enquanto o ser humano for levado pela ganância. Ainda estou para perceber qual é que é a utilidade adicional de uma pessoa entre ter uma casa confortável num sítio decente, por exemplo uma casa de 500.000 euros em Cascais, e ter uma casa na Quinta da Marinha por 5.000.000 euros. Gostava de saber se o diferencial de preço entre as duas casas compensa o aumento de utilidade, mas isto são questões à parte.
Outro tema focado no filme é também a atribuição dos 700 biliões aos bancos. Alerto só (para quem vier a ver o filme) que infelizmente o que se passa a este respeito nos EUA também se passa em Portugal, bastando olhar para a questão do BPN, e de quanto é que foi roubado (chamemos as coisas pelos seus nomes correctos) do banco e de quanto é que os contribuintes (perdão, o Estado Português) tiveram de pagar para manter o banco. Infelizmente, parece que o nosso ministro Teixeira dos Santos não está em condições de dizer este valor... porque será?
Ah, e já agora, apesar de não ser um filme brilhante, é um filme razoável para se ver, não obstante parecer que a história de "amor" acaba com o Barack Obama. Parece que Michael Moore ou é ingénuo, ou não teve tempo para acrescentar mais capítulos ao filme, ou então é um fortíssimo apoiante do Obama.

Mundo insatisfeito com o sistema capitalista




Hoje vi um título de jornal, que dizia "Mundo está insatisfeito com sistema capitalista", defendendo uma maior regulação financeira.

Meus amigos, o problema não está na regulação financeira, está no facto de não existir mercado livre, nem liberdade de escolha. Por exemplo em Portugal, temos a CMVM e Banco de Portugal, que como toda a gente sabe e é público, os seus dirigentes são pagos a peso de diamantes. Toda a gente tinha conhecimento do que se passava em alguns bancos, então o BCP... só não via quem não queria e... claro que a regulação falhou. A regulação está feita para dar a ilusão de controle, a ilusão de que estamos seguros e há alguém de olho. Quem devia estar de olho era cada um de nós e o mercado que premia-se a gestão mais correcta e mais conservadora. Pensem comigo, acham correcto a maior parte das pessoas perder mais tempo a escolher um televisor, do que um banco onde colocar o capital? Quantas pessoas conhecem que, ao fazerem um crédito habitação não perderam tempo em consultar todos os bancos do mercado à procura da melhor taxa? Mas para escolherem um televisor... aí leem e consultam tudo. Depois quando corre mal, culpam a regulação que falhou. Quem falhou foi cada um de nós que não premiou o melhor banco, e a melhor gestão. Digo banco, mas podia estender a lista a muitas outras coisas.

Um exemplo claro, dos interesses por detrás das "regulações", foi o facto de Tim Geithner, actual secretário do tesouro americano, ter falhado completamente na regulação do mercado, quando tinha inúmeras pessoas, inclusive o senador Ron Paul que já o vinham a avisar do que se iria passar. Como prémio, o salvador Obama, deu-lhe a recompensa de o eleger o responsável máximo pelo tesouro americano... Quando falhou redondamente na tal "regulação".

Não há mercado livre, a regulação é uma fantasia, para dar a ilusão de controle. Para dar a ilusão às pessoas de que há alguém muito atento a protegê-las... Mas caros leitores, é a mesma coisa do que pôr uma raposa a vigiar o galinheiro. Vamos é lutar pela liberdade, coisa que infelizmente não existe.

Amanhã vou colocar um vídeo excelente, do grande George Carlin, onde ele fala sobre quem realmente controla os estados. IMPERDÍVEL.

Dívida: um verdadeiro "peso-pesado" no combate ao crescimento económico


Todos sabemos que quando temos enormes dívidas não nos podemos dar ao luxo de consumir desalmadamente. Isto é verdade para todo e qualquer agente económico, seja ele o próprio leitor, uma empresa ou até o Estado. Na realidade uma das premissas de qualquer modelo macroeconómico digno desse nome, é a restrição onde o valor actual das dívidas futuras é igual a zero. Quer isto dizer que existe limites ao endividamento, pois quanto maior o nosso endividamento, maior dificuldade teremos em contrair empréstimos dado que os agentes que estão dispostos a emprestar apercebem-se que as nossas receitas começam a não dar para cobrir o serviço da dívida. Ora é exactamente isto que se começa a passar um pouco por todos os Estados ocidentais. De facto, colocar dívida do Governo Português, Espanhol ou até mesmo Americano já não é tão fácil e tão "favas-contadas" como o era.
Assim sendo, se os Estados se encontram tão endividados parece óbvio que, tal como num empréstimo, os pagamentos sejam efectuados em suaves prestações.
No entanto, dado que os Estados começam a ultrapassar largamente os limites do razoável, é bem provável que estas suaves prestações transitem para as gerações vindouras, nomeadamente a dos nossos filhos e netos, "felizmente" para nós e infelizmente para eles.
Os nossos descendentes irão herdar um mundo onde provavelmente serão confrontados com a inexistência de pensões de reforma, com o sucessivo adiar de investimentos em infraestruturas importantes e com uma pesada carga fiscal.
Tudo isto para que se possam pagar as dívidas que os pais e os avós contrairam enquanto andavam a consumir o que não tinham, colocando em cima da mesa graves questões éticas e de justiça intergeneracional.

O prémio Nobel da economia, Edmund Phelps, afirmou recentemente que a dívida acumulada pelo Governo Americano, vai inibir o crescimento económico durante as próximas décadas e que (passo a transcrever):
"Agora que a economia norte-americana vai tocar no fundo e começar a sua recuperação, temos um nível muito elevado de endividamento do Estado, uma situação que só será sustentável com um preço do imposto marginal muito elevado durante vários anos, o que vai adiar várias actividades inovadoras"

Tal cenário faz-me lembrar um pouco os pagamentos das indemnizações de guerra: por exemplo a Finlândia só após ter acabado de pagar as despesas de guerra à Rússia, é que pôde efectivamente virar-se para si e procurar o crescimento.
Contudo, não saimos de nenhuma guerra, estas indemnizações de "guerra" estão a ser atribuídas a empresas que falharam redondamente no campo da competência e que não foram penalizadas por isso, muito pelo contrário.
Pessoalmente se fosse CEO de alguma grande empresa do género da GM ou de algum grande banco, ficaria bastante contente, pois saberia que independentemente da competência dos actos da minha gestão, virá sempre um Estado salvador para me atribuir uma choruda recompensa e salvar a minha empresa da desgraça. Este precedente muito grave que se abriu incentivar-me-ia a investir loucamente em projectos de tudo ou nada: se perdesse tudo, saberia que viria o Estado ajudar-me; se ganhasse bastante, ficaria com os lucros para mim.
O leitor poderá ser levado a pensar que sou contra o capitalismo, mas não se trata nada disso, muito pelo contrário. Sou claramente a favor do capitalismo, mas do capitalismo onde realmente vinguem as leis da concorrência, as leis do mais forte, onde as empresas com fraco desempenho sejam penalizadas, e as empresas com boa performance sejam recompensadas.
Será pedir muito?