Reforma Agrária Chinesa


Um episódio interessante, que mais uma vez demonstrou o falhanço da propriedade colectiva, ocorreu com a terceira reforma agrária chinesa, depois da implementação do regime comunista, que consistiu numa quebra com a exploração colectiva da terra, através da constituição de um regime de responsabilidade familiar, no qual cada família tinha direito a explorar uma parcela (mais detalhes sobre os sistema neste link). Embora ainda não fosse um sistema de propriedade privada, foi um passo na direcção certa, que obteve resultados imediatos, com crescimentos significativos da produção agrícola.

É curioso que, em meados dos anos 80, a produção agrícola voltou a estagnar, ao se esgotarem os benefícios daquele sistema, o que segundo o artigo se ficou a dever a problemas que, na minha opinião, podiam ser resolvidos mais facilmente num verdadeiro sistema de propriedade privada:

(1) Parcelas de terra demasiado pequenas, para uma exploração eficiente. Caso a terra pudesse ser vendida, haveria um incentivo a que as parcelas se unissem, p.e. através de compras ou de cooperativas ou associações, até atingirem uma dimensão óptima.

(2) Como as terras não pertenciam aos trabalhadores, e podiam mesmo ser redistribuídas a qualquer altura, os camponeses apenas perseguiam objectivos de curto prazo, sobre-produzindo e fazendo poucos investimentos. Caso a terra fosse efectivamente dos camponeses, havia mais incentivos para estes seguirem objectivos de longo prazo, nomeadamente para preservar as terras e realizar investimentos, porque seriam os próprios a retirar os ganhos das suas acções, mesmo que vendessem as terras porque estas estariam mais valorizadas.

(3) As terras estavam mal distribuídas. Num sistema onde a terra pudesse ser vendida, haveria um incentivo a que os proprietários mais produtivos comprassem as terras a proprietários menos produtivos, porque conseguiam tirar mais rendimento do mesmo terreno, pelo que seria pouco provável que este problema persistisse.

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