Dívida: um verdadeiro "peso-pesado" no combate ao crescimento económico


Todos sabemos que quando temos enormes dívidas não nos podemos dar ao luxo de consumir desalmadamente. Isto é verdade para todo e qualquer agente económico, seja ele o próprio leitor, uma empresa ou até o Estado. Na realidade uma das premissas de qualquer modelo macroeconómico digno desse nome, é a restrição onde o valor actual das dívidas futuras é igual a zero. Quer isto dizer que existe limites ao endividamento, pois quanto maior o nosso endividamento, maior dificuldade teremos em contrair empréstimos dado que os agentes que estão dispostos a emprestar apercebem-se que as nossas receitas começam a não dar para cobrir o serviço da dívida. Ora é exactamente isto que se começa a passar um pouco por todos os Estados ocidentais. De facto, colocar dívida do Governo Português, Espanhol ou até mesmo Americano já não é tão fácil e tão "favas-contadas" como o era.
Assim sendo, se os Estados se encontram tão endividados parece óbvio que, tal como num empréstimo, os pagamentos sejam efectuados em suaves prestações.
No entanto, dado que os Estados começam a ultrapassar largamente os limites do razoável, é bem provável que estas suaves prestações transitem para as gerações vindouras, nomeadamente a dos nossos filhos e netos, "felizmente" para nós e infelizmente para eles.
Os nossos descendentes irão herdar um mundo onde provavelmente serão confrontados com a inexistência de pensões de reforma, com o sucessivo adiar de investimentos em infraestruturas importantes e com uma pesada carga fiscal.
Tudo isto para que se possam pagar as dívidas que os pais e os avós contrairam enquanto andavam a consumir o que não tinham, colocando em cima da mesa graves questões éticas e de justiça intergeneracional.

O prémio Nobel da economia, Edmund Phelps, afirmou recentemente que a dívida acumulada pelo Governo Americano, vai inibir o crescimento económico durante as próximas décadas e que (passo a transcrever):
"Agora que a economia norte-americana vai tocar no fundo e começar a sua recuperação, temos um nível muito elevado de endividamento do Estado, uma situação que só será sustentável com um preço do imposto marginal muito elevado durante vários anos, o que vai adiar várias actividades inovadoras"

Tal cenário faz-me lembrar um pouco os pagamentos das indemnizações de guerra: por exemplo a Finlândia só após ter acabado de pagar as despesas de guerra à Rússia, é que pôde efectivamente virar-se para si e procurar o crescimento.
Contudo, não saimos de nenhuma guerra, estas indemnizações de "guerra" estão a ser atribuídas a empresas que falharam redondamente no campo da competência e que não foram penalizadas por isso, muito pelo contrário.
Pessoalmente se fosse CEO de alguma grande empresa do género da GM ou de algum grande banco, ficaria bastante contente, pois saberia que independentemente da competência dos actos da minha gestão, virá sempre um Estado salvador para me atribuir uma choruda recompensa e salvar a minha empresa da desgraça. Este precedente muito grave que se abriu incentivar-me-ia a investir loucamente em projectos de tudo ou nada: se perdesse tudo, saberia que viria o Estado ajudar-me; se ganhasse bastante, ficaria com os lucros para mim.
O leitor poderá ser levado a pensar que sou contra o capitalismo, mas não se trata nada disso, muito pelo contrário. Sou claramente a favor do capitalismo, mas do capitalismo onde realmente vinguem as leis da concorrência, as leis do mais forte, onde as empresas com fraco desempenho sejam penalizadas, e as empresas com boa performance sejam recompensadas.
Será pedir muito?

4 Comentários:

Tarzan disse...

«Será pedir muito? »

Num quadro mental socialista isso é a suprema blasfémia.

Liberdade D´Escolha disse...

Sim, realmente é. Mas quem defende a dívida como caminho para alguma coisa produtiva pode explicar como é que ainda há países pobres no mundo... se basta se endividarem sem consequências entáo é fácil ser rico.
Quem defende essa linha de pensamento então não se pode queixar que os impostos indirectos estejam a aumentar... será a favor de mais impostos já que o dinheiro não cresce das árvores, vem de algum lado e como o estado não produz nada, apenas redistribui a riqueza... é fácil fazer as contas.

Élia disse...

Concordo contigo Pedro. Mas nos dias de hoje há a escolha entre deixar o mercado funcionar e, portanto, empresas ineficientes e sem competividade vão à falência e temos como consequência o aumento significativo do desemprego. Ou então salvam-se as empresas e não temos o aumento do desemprego e, com isso, ganham-se eleições! Ou não, mas pelo menos fica-se (como governo) muito mais bem visto.
Como é óbvio é apenas um atirar de areia para os olhos. Mas quem vier a seguir que feche a porta!...

Liberdade D´Escolha disse...

Exactamente Élia. Enquanto forem os políticos a mandar e regular os mercados há um ciclo infindável de boom and bust, que atira para a pobreza cada vez mais pessoas.
Os governo governam a pensar nos votos e popularismo e é muito mais popular dizerem que vão salvar x empregos... só não dizem quantos é que destruiram entretanto. Só para dar um exemplo, em Portugal em 4 anos desapareceram 150.000 empresários, que entretanto foram criados na função pública. Aumenta o encargo público e desaparecem empreendedores.

Já é tempo de mudança, de diminuir o peso do estado e aumentar o peso do sector privado e empreendedores, que eles sim tÊm capacidade de decidir o que é melhor, já que lhes sai do bolso.

Obrigado pela participação Élia.