Os Novos Conservadores

Este artigo de opinião, vem mais uma vez demonstrar como a esquerda se transformou, de progressista (segundo os próprios esquerdistas) em conservadora. Hoje, concentra-se sobretudo em defender as alegadas “conquistas sociais” (na minha opinião, os “beneficiários” perdem mais do que ganhariam num verdadeiro sistema capitalista) e grupos de interesse, como os funcionários públicos (que já são, no geral, dos cidadãos com mais direitos da nossa sociedade).

O programa do PSD, continua a ser estatista e não é o que eu defendo, embora o considere um avanço em relação à situação actual, porque dá mais liberdade aos pais, na educação, e aos utentes, na saúde. No entanto, não pretendo defender o programa do PSD, mas antes mostrar como, o conservadorismo socialista do autor do artigo, é errado.

A escola pública, como existe hoje, aumenta as divisões sociais, para além de ter um nível de qualidade muito baixo e com tendência a cair. Os alunos de famílias pobres, ficam obrigados a frequentar essas escolas, onde recebem uma educação deficiente, com consequências para o seu futuro, enquanto as famílias com mais posses podem enviar os filhos para escolas privadas, onde vão receber uma formação que lhes dará oportunidades a que os restantes dificilmente terão acesso. Na saúde, a situação é idêntica, com os pobres obrigados a esperar horas em filas de espera, nas urgências, ou meses à espera de uma operação, enquanto os ricos podem pagar por um serviço superior, que nunca estará disponível para os mais desfavorecidos.

Antes do 25 de Abril, de facto havia muitos analfabetos e o acesso à saúde era reduzido, mas grande parte da culpa era do próprio estado que restringia o aparecimento de privados a oferecer esses serviços, para proteger as escolas e hospitais já existentes da concorrência, muitos deles públicos, pertencentes à Igreja, ou a grupos com ligações ao poder (ainda no outro dia li algures, sobre o caso Feteira, que o senhor quis fazer um hospital psiquiátrico, em Portugal, que foi chumbado pelo estado novo).

Na América, em meados do sec. XIX, ainda não havia leis a obrigar a frequência escolar, nem havia escolas públicas, em muitos estados, no entanto, como também não havia leis a restringir a oferta de serviços de educação, em alguns estados a taxa de alfabetização era superior a 95%. Relembro também este post, sobre escolas privadas, em favelas nigerianas.

Quando o mercado é deixado funcionar, na educação, na saúde, ou noutra área qualquer, a tendência de longo prazo é para os custos baixarem, ao mesmo tempo que a qualidade e a cobertura sobem, por acção da concorrência entre as empresas que pretendem fornecer esse serviço, porque só assim conseguem atrair os consumidores. Pode ver-se o caso dos telemóveis, mesmo com uma restrição estatal ao número de fornecedores do serviço, os preços tanto das chamadas, como dos próprios telemóveis, baixaram, ao mesmo tempo que o serviço melhorou (não é perfeito, nem nunca será, mas não há dúvida que melhorou), quase todos os portugueses têm pelo menos 1 telemóvel (quando apareceu era um bem de luxo, hoje é banal), e é um sector marcado pela inovação. No sector público, acontece o contrário (lei de Gammon).

Se calhar, vivemos num país pobre precisamente por termos demasiados políticos, e intelectuais, conservadores de esquerda, porque os países/pessoas/famílias pobres são os que mais beneficiam com a liberalização das economias, e os que mais perdem com o socialismo.

"If I were (...) told I would have grandchildren who might be poor, and I wanted to protect their lives, I would surely pick capitalism, not a welfare state, as their best protection. " - Walter Block

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