Confrontos em Moçambique

Este é o resultado inevitável quando os políticos são obrigados a encarar a realidade (neste caso, subindo os preços tabelados da água e electricidade), e acabando por defraudar as falsas expectativas criadas junto da população, normalmente com fins eleitorais.

Nos mercados livres, a tendência é para os preços descerem por causa da concorrência, que obriga as empresas a procurar formas mais eficientes de produção, para disponibilizarem preços mais baixos que as empresas rivais, além de tentarem aumentar a qualidade.

Quando há empresas privadas com posições monopolistas, protegidas pela lei (os monopólios resultam quase sempre de protecções dadas pelo estado), como parece ser o caso da Águas de Moçambique, de acordo com este link, ou quando há empresas públicas, como é o caso da Electricidade de Moçambique, que nunca podem ir à falência porque o estado injecta mais capital para as salvar, incentivando a ineficiência, a tendência é para os preços subirem enquanto a qualidade baixa.

Eventualmente, os politicos podiam manter os preços tabelados da água e da electricidade, mas teriam de cobrar impostos para cobrir o buraco, criando uma injustiça porque estariam os contribuintes a pagar aos consumidores. O problema é normalmente o buraco tender a crescer, porque os preços baixos promovem a procura e desincentivam a oferta, até se tornar insustentável.

Outra explicação possível, é o banco central de Moçambique andar a criar inflação (não estou a dizer que está a acontecer, apenas que é uma possibilidade). A inflação é um imposto, a diferença em relação aos outros impostos é que apenas damos conta que existe quando vemos o aumento do nível geral dos preços, nomeadamente nos bens de primeira necessidade.

Se os políticos tivessem deixado o mercado funcionar nas últimas décadas, provavelmente os preços seriam mais baixos em relação aos tabelados actualmente, mas isso significaria abdicarem de muito do poder que hoje detêm.

Um dia destes, não me admira que haja confrontos deste genero em Portugal, porque até a paciência do povo dos "brandos constumes" há-de ter limites, embora aqui o mais expectável é termos uma revolta fiscal.

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