Inflação Começa a Subir


Em Agosto, a taxa de inflação foi de 1,9%, em relação a Agosto de 2009, em Portugal, segundo o INE.

Caso se confirme, nos próximos meses, a continua subida da inflação, e que isto ocorre de forma generalizada em toda a Zona Euro, o BCE terá cada vez menos espaço de manobra para manter as taxas de juro a 1%.

Quando as taxas de juro reais do BCE sobem, este diminui a emissão de moeda para os mercados de crédito, deixando de suportar actividades que foram iniciadas e/ou mantidas artificialmente (em detrimento de outras que o mercado preferiria, para responder às necessidas dos consumidores, expressas através da relação entre os preços dos bens e serviços da economia, das matérias primas, etc.).

No início dos anos 2000, as taxas de juro foram artificialmente baixadas, para impedir a recessão que se seguiu ao rebentar da bolha das empresas tecnológicas. De facto, aquela recessão demorou "apenas" uns 2 anos, mas o mercado de crédito, inundado de liquidez, deu origem à bolha do mercado imobiliário.

A bolha do mercado imobiliário rebentou, quando os bancos centrais começaram a subir as taxas de juro, para manter a inflação sob controlo. Com a subida dos juros, muitos proprietários deixaram de conseguir pagar os seus empréstimos aos bancos.

As taxas de juro artificialmente baixas, desde 2008, não deram origem ao começo de novas actividades, mas evitaram, por um lado, o desaparecimento de uma boa parte do sector financeiro, que durante a bolha tinha tomado riscos excessivos, e, por outro, a falência de alguns estados (parte dos riscos excessivos dos bancos foi precisamente comprar demasiada dívida pública de certos países).

Quando o BCE cortar na linha de liquidez, o resultado pode vir a ser o descalabro dos bancos zombies e a bancarrota de alguns estados.

Como sabemos, tanto os bancos portugueses, como o nosso estado, estão altamente dependentes dos empréstimos do BCE, pelo que, caso este cenário se confirme, Portugal pode ser dos países mais afectados.

Se o BCE não subir os juros, para controlar a inflação, o resultado será, no limite, uma hiperinflação. Mas não me parece que os alemães vão permitir que tal aconteça, depois da experiencia dos anos 20 do sec. XX.

PS: Na minha opinião, não faz sentido exlcuir energia e bens alimentares dos indices de preço dos consumidores, e a verdadeira razão pela qual os bancos centrais gostam destas exclusões é porque podem apresentar números mais baixos para a inflação, mascarando a realidade. Normalmente, estes bens são precisamente os primeiros a registar os sintomas da inflação.

1 Comentários:

Paulo Abreu disse...

Manterem estatisticamente a inflação nos valores que estão, só pode ser a custa de ilusão. Quem vai ao supermercado sabe bem que há muito que ela é bem superior.