Japão


A economia japonesa tem sido um enigma para muitos economistas, desde 1990. Por um lado, há alguma controvérsia sobre a razão pela qual, apesar do Banco do Japão ter mantido taxas de juro de referência muito baixas, desde há quase 20 anos, isso não ter causado inflação alta, enquanto, muito pelo contrário, em muitos destes anos até houve deflação.

Quando os bancos centrais querem criar moeda, a sua arma é a taxa de juro de referência. Quando colocam essa taxa abaixo daquilo que seria a taxa de mercado livre, os bancos têm mais incentivo a contrair empréstimos, que depois colocam no mercado de crédito. Porque razão isto não tem resultado em inflação alta, no Japão?

Como sabemos, os japoneses são dos povos que mais poupam, em todo o mundo. Logo, o mercado japonês de crédito teria muita liquidez resultante das poupanças elevadas, pelo que naturalmente, seria provável a taxa de juro estar a níveis baixos, mesmo sem a existência de um banco central.

Como a taxa de juro de referência se encontra muito próxima da que seria a taxa de juro num mercado livre, não tem havido criação significativa de moeda (como se pode ver no gráfico), no Japão, o que explica a inflação não ter sido um problema.

Ao contrário dos economistas monetaristas e keynesianos, eu acho que isso tem sido positivo, impedindo a criação de maiores distorções, na economia nipónica.

Por outro lado, se a politica monetária não tem tido efeito significativo, então porque anda o Japão em recessão há 20 anos?

Tal como todas as bolhas, a japonesa dos anos 80 teve origem no crédito fácil. Antes da bolha rebentar, em 1990, a capitalização bolsista japonesa era 42% da capitalização bolsista mundial, e equivalia a 151% do PNB do país, contra 29%, em 1980. O valor imobiliário do Japão, era 5 vezes o PNB, mesmo depois do crash de 1990. Em 1998/9, o mercado bolsista e imobiliário tinha perdido 80%, em relação ao auge da bolha.

Desde 1990, os sucessivos governos têm embarcado em vários pacotes de “estímulos”, seguindo a cartilha keynesiana. Por outro lado, houve vários salvamentos de alguns grandes bancos e empresas japonesas. Para os keynesianos, o facto da economia continuar estagnada, após todos estes estímulos, é prova da gravidade da recessão e de que os governos foram muito brandos nos estímulos. Isto é, obviamente, ridículo, e apenas demonstra como os seguidores de Keynes se encontram mais uma vez perdidos, sem conseguir entender o porquê do falhanço das suas recomendações.

A economia japonesa, não recuperou precisamente por causa dos repetidos planos de estímulos, que retiram recursos ao sector privado e os entregam a políticos e burocratas. Os governos não deixaram a recessão acontecer, e a recessão é o período em que a economia elimina os maus investimentos realizados durante o boom, e promove a reestruturação dos factores de produção, tendo em conta as preferências dos consumidores, sendo essencial para a recuperação total após os excessos causados pelo crédito fácil. O boom é uma situação insustentável, pelo que qualquer tentativa governamental de o ressuscitar está condenada ao fracasso e apenas impede o regresso rápido a uma economia saudável.


Infelizmente, esta é uma lição que muito poucos políticos estão dispostos a aprender, quer sejam japoneses, portugueses, americanos, etc., porque seria admitir que nós não só não precisamos assim tanto deles, como estaríamos bem melhor se eles tivessem um papel muito mais reduzido, nas nossas sociedades.

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