Governo pode fechar a TAP

Quando vi o título da notícia ainda pensei que estivessem finalmente a ganhar algum juízo (ou que tivessem visto o post do André), mas assim que abri o artigo apercebi-me que era pura ilusão.
Afinal, o plano que o governo estuda é apenas fechar a TAP para abrir uma empresa nova, ao lado. Ou seja, falharam na gestão de uma empresa de aviação mas por artes mágicas vão conseguir criar e gerir eficientemente uma nova empresa, que certamente herdará grande parte da estrutura (e dos problemas) da TAP.
As minhas sugestões são, (1) privatizem, se conseguirem, ou (2) fechem a empresa mas não abram outra ao lado.
Caso seguissem a minha primeira recomendação, podiam privatizar por partes, dado que o todo está falido, e de certeza que pelo menos as partes lucrativas terão interessados. Aliás, é reconhecido que partes da empresa são muito profissionais e têm pessoal de altíssima qualidade. Era uma estratégia de minimização das perdas, que permitia a sobrevivência das partes boas da empresa.
Caso não pretendam desmembrar a empresa, dado que pode ser difícil de explicar politicamente, o melhor é mesmo fechar a companhia, em vez de deixá-la continuar a consumir recursos da economia que poderiam ser melhor aplicados noutros sectores, ou por uma empresa mais eficiente (coisa que duvido muito que seja possível com uma nova empresa pública de aviação).
Acreditem que, mesmo sem uma empresa pública portuguesa, não iamos deixar de ter aviões nos nossos aeroportos.

3 Comentários:

Anónimo disse...

Por acaso já considerou as consequências do que tanto "apregoa" como solução. São mais de 8 mil pessoas directamente para o desemprego!!! A segurança social acabava!! Tenha juízo!!

Marco disse...

É óbvio que só sou a favor do fecho de qualquer empresa se esta não for rentável por si, não sou a favor do salvamento artificial de nenhum peso morto, porque, no longo prazo, isso acaba por destruir muitos mais empregos do que aqueles que são salvos, no curto prazo. Claro que fechar uma empresa onde 8 mil pessoas trabalham não é fácil, no curto prazo essas pessoas não vão ter facilidade em encontrar trabalho, tendo em conta o período de crise que atravessamos e, principalmente, a rigidez da nossa legislação laboral que, ao restringir os despedimentos, acaba por restringir ainda mais a criação de emprego. Quanto ao argumento da segurança social, já há centenas de milhar de pessoas a receber o subsidio de desemprego, não me parece que fosse por aí que a segurança social iria acabar (nota: com isto não estou a dar a minha opinião sobre a manutenção do regime actual de segurança social).

André disse...

Esta frase do anónimo faz-me lembrar o que o Paulo Portas disse. "que o BE, perante um assalto, fica do lado do criminoso". Quer dizer, alguns fazem chantagem com a firma em questão, quem vai pagar esses milhões de aumentos serão todos nós com os impostos, e ainda são os coitados...
O estado apenas distribui a riqueza existente na economia. Ao permitir que empresas falidas permanecam em actividade irá fazer com que recursos sejam lá alocados, ou seja, é atirar dinheiro bom para a fogueira. Não se admire, que Portugal tenha os impostos que tem, e cada vez irá ser pior, já que o estado irá ter de ir buscar o capital a algum lado...