Os amigos da onça estão de volta

A onça de ouro voltou a ultrapassar mais uma vez o valor histórico de 1.000 dólares.
Cada vez mais o ouro parece ser a commodity de refúgio...ou talvez não!
Uma das regras mais básicas da economia é a de que intensas injecções de dinheiro (por intensas entende-se uma taxa de crescimento monetário superior à taxa de crescimento da economia) levam necessariamente a um aumento da taxa de inflação.
Vamos pensar numa economia muito simples, designada por país República das Banandas, onde o único produto do país, por simplificação de raciocínio, são precisamente bananas.
Admitamos que esta economia produz anualmente um produto real de 2.000 bananas e que a quantidade monetária em circulação é de 10.000 unidades monetárias (u.m). Fazendo uns cálculos muito rápidos apercebemo-nos que para a economia absorver as 1.000 u.m., é necessário que o preço de cada banana seja de 10.000 u.m. / 2.000 bananas, ou seja, cada banana custará 5 u.m. Mas e se de repente o governo decidir "ajudar" esta economia, injectando mais 2.000 u.m. no sistema bancário, através do banco central local?
Simples, aí o preço das bananas passará a ser de 12.000 u.m. / 2.000 bananas, ou seja, 6 u.m. por banana. Como se pode ver o preço das bananas subiu de 5 para 6 u.m.
Através deste exemplo muito simples conseguimos deduzir a famosa equação de Fisher:

P. Y = M. V onde P é o nível geral de preços, Y é o produto, M é a moeda em circulação e V é a velocidade de circulação da moeda

No estado da economia actual, com taxas de crescimento muito baixas ou mesmo negativas e com as enormes injecções de dinheiro para "ajudar" a economia parece credível a subida do nível geral de preços.
Ora se pensarmos que estas injecções de dinheiro foram atribuídas muitas vezes não para apoio efectivo das empresas, mas sim como forma de pagamento de prémios chorudos a administradores de empresas e de bancos que se revelaram incompetentes e mesmo de um ética muito duvidosa, parece-me que está encontrada uma das razões para a subida da cotação do ouro.
Naturalmente que em tempos de crise e de desconfiança, grande parte dos investidores se refugiam no ouro, mas provavelmente estamos a assistir igualmente a um efeito de inflação: com excesso de dinheiro, os investidores decidem investir nas commodities (e não só), inflaccionando severamente os seus preços, nomeadamente da cotação da onça do ouro.
Os amigos da onça estão de volta!
Interrogo-me se esta escalada de preços é sustentável, pois caso o seja, tal significa que o preço das commodities (não só o ouro, mas o cobre, o petróleo, entre outros) irá ter reflexo em todo o sistema produtivo e traduzir-se no aumento do preço dos bens.
Vamos esperar para ver...

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